BOTO
Essa é uma lenda muito conhecida nas cidades do interior da Amazônia
Segundo a crendice popular, em todas as festas realizadas à beira dos trapiches, em margens de rios, sempre haverá um boto à espreita de alguma moça ingênua e, de preferência, virgem ou menstruada.
Conta a lenda que, durante a noite, ao ouvir o som das festas realizadas nos beirais dos rios, o boto se transforma em um belo rapaz, de roupas brancas, sapatos brancos e um característico chapéu branco, este serve para esconder o buraco no alto da cabeça.
O chapéu serve também para ocultar parte de seu rosto que afinal, é um rosto desconhecido pelos habitantes.
Após sua transformação, o boto segue rumo à festa, caminhando com seu andar um tanto quanto desajeitado, afinal o boto não tem costume de andar em terra firme.
Mas para as moças novas que estejam na festa, em nada de estranho o boto lhe parecerá, nem seu jeito calado, nem seu chapéu que lhe esconde parte de seu rosto desconhecido dos habitantes das redondezas. Nada disso parecerá estranho ou afastará a moça escolhida.
Dizem os caboclos que o boto encanta a moça pelo seu olhar, e após conseguir sua conquista, o boto se lança no primeiro braço de rio ou igarapé, revelando-se então como o senhor dos seres aquáticos, o Boto.
Acredita-se, por exemplo, que quando uma mulher engravida de uma visagem a criança fruto desse terrível cruzamento está predestinada a ser uma cobra grande.
TOADA PARA ESTA LENDA - Boto sou eu
Uma composição de Hugo Levy/ Neil Armstrong/ S. Camaleão (2004)
É canoa que gira , num remanso do rio
Beira de rio quebrando o barranco
Rebojo , banzeiro , moleca no cio ( Bis )
Boto rosado , uiara , boto tucuxi ( Bis )
Arma na cintura é poraquê
Caboclo forte , bonito , chapéu de arraia
Olho de boto , dançar é gostar
No tempo do encanto , o calçado é o acari
É homem , é boto , é o rosa ou tucuxí
Olha o boto faceiro
Seu andar de banzeiro
É o desejo de amar
Num sorriso um , quebrando
No seu beijo o encanto
Qlha o boto sinhá
É rapaz atrevido , namorador
É o feitiço do boto conquistador
De chapéu quebrado na testa
O bom é amar
Do encanto das águas me conta o teu gosto
Olha o boto sinhá , olha o boto sinhá
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